Como é que os peixes respiram?

Alexandre Faustino 03 Jun, 2019

Falar sobre peixes, principalmente como quando os vemos como animais de estimação, pode ser uma tarefa um pouco ingrata – visto que os peixes são dos animais que mais abundam nos nossos oceanos, mares, rios. Chegam a ter um significado quase cultural em muitos lugares e para muitas pessoas este significado pode chegar a ter um cunho místico. Muitas destas interpretações, surgem porque o peixe é usado como sendo alimento do homem desde o princípio da sua formação.

Agora que as sociedades também já evoluíram, o peixe passa a ter um lugar de destaque dentre os animais de estimação que se podem ter. É verdade que os peixes chegam mesmo a entrar no nosso imaginário coletivo através de diversos filmes de animação, o mais famoso deles todos será a história de Nemo e os seus amigos. Nele podemos ver como a fauna pisciana é muito rica em determinadas zonas do mundo e em como o peixe pode adquirir um lugar de destaque na vida dos seres humanos enquanto animal de estimação.

À partida, nos peixes reais que vemos por ai, parecem nunca fazer muito mais do que comer e serem assustados com dedadas contra os seus aquários. No entanto existe uma fasquia muito grande de amigos humanos que se dedicam diariamente a tratar dos seus peixes, assim como do ambiente envolvente ao aquário, para proporcionar verdadeiras atmosferas aquáticas. Atmosferas que levam peixes de muitas formas e feitios a viverem longe de predadores e em aquários que são verdadeiras obras de arte para adornarem uma sala ou qualquer outra divisão de uma casa. Existe, assim, um grupo de aficionados dos peixes que tendem a conhecer muito bem as diferentes espécies existentes e a salvaguardar a continuidade de espécies de peixe mais exóticas.

No meio dos diversos cuidados que se devem ter com o peixe, um deles é a limpeza do aquário e isto é de especial importância porque é nestas águas que os peixes irão buscar o seu próprio oxigénio. Ou seja, os peixes absorvem o oxigénio presente na água e fazem-nos através de um órgão respiratório que só os peixes têm: as brânquias ou como se diz mais comumente, as guelras. Quando um peixe abre a boca, ele faz com que a água passe pelas guelras. Este é um órgão especializado que absorve o oxigénio presente na água, mesmo sabendo que existe menos oxigénio na água do que no ar – mas as guelras têm, na verdade, uma grande superfície de absorção. Assim a água passa por este órgão que também possui cílios, que fazem a filtragem de impurezas existentes na água – estes fazem parte das estruturas das guelras que também possuem outros filamentos e lamelas. Assim ocorre a troca gasosa, como se existissem alvéolos pulmonares capazes de reter o oxigénio. O sangue do peixe passa assim a circular em vasos capilares muito finos, fazendo circular esse sangue no sentido inverso da água. Para uma explicação mais simples, podemos dizer que o que acontece nas brânquias dos peixes é parecido com o que acontece com os pulmões do humano – a água que sai do sistema respiratório do peixe, acaba por conter menos oxigénio e mais dióxido de carbono. Esta é a regra para a maioria dos peixes, porém também existe a exceção: uma classe de peixe que são os “dipnoicos” que possuem tanto guelras como também um sistema pulmonar que lhes permite respirar à superfície. Esta é uma categoria de peixes que vive em zonas pantanosas da austrália e que com certeza fogem à regra acerca da forma de respirar dos peixes.

Por este simples motivo de os peixes conseguirem arrecadar oxigénio através da água, tornam-se animais muito distantes dos seus amigos humanos. Porém sabemos que estudos recentes concluíram que o peixe é capaz de experimentar algumas emoções e ser assim mais do que um animal decorativo. Na verdade os peixes podem tornar-se excelentes animais de estimação para pessoas que sejam elas próprias mais dotadas à solidão ou que não tenham um grande círculo social. A empatia por um peixe, muitas vezes nasce através da sua própria condição de misantropo por natureza. Quer isto dizer, de animal que à partida não ganha feição pelos humanos. Esta característica pode levar a que o dono se identifique com tal apatia o que poderá, por outro lado, mostrar-lhe que a vida nem sempre necessita de grandes metas ou triunfos para ser vivida calmamente.

Entender a forma como os peixes respiram também é uma maneira de nos aproximarmos a este animal e termos noção de que vivemos todos através do oxigénio, também fazemos parte de um mundo animal que precisa do mesmo que nós precisamos. Esta aceitação tem também consequências ecológicas para a vida marinha e terrestre, que nos levam a proteger não só o nosso ar, como também as águas que proliferam neste mundo. E se a escolha for também possuir um peixe, que este possa estar num aquário o mais possível parecido com o habitat marinho do qual é original – pois a felicidade dos nossos animais de estimação é também a nossa felicidade.

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